Portuguese English

Verão Alentejano

  Maio de 2015 trouxe o Verão. Este ano, mais seco e quente do que 2014, tem sido mais exigente, tanto a nível agrícola como pessoal. Longas semanas com temperaturas a rondar os 40ºC mostraram-nos finalmente o que o Alentejo realmente é capaz. No entanto, a fauna e flora locais parecem encará-lo com maior leveza! Apesar da Primavera ter sido mais curta e a chuva mais escassa, a flora teve o seu pico de floração, prosseguiu para semente, as aves criaram as suas crias, e até tivemos o prazer da companhia de uma lontra de rio numa das pequenas barragens da herdade.

 
IMG 2036
 
 
 Nos campos, as produções parecem muito felizes com todo o sol disponível desde que o acesso a rega esteja garantido. Os tomilhos estão mais aromáticos que nunca, tal como as espécies mais adaptadas à seca, como a segurelha, manjerona e orégãos. O tempo seco e quente permite também uma secagem natural próxima da perfeição - as ervas mantêm a sua côr e aromas, características garantidas por uma secagem rápida, à sombra e sob temperaturas óptimas. O decorrer deste ano permitiu-nos, até ao presente momento, observar que a dureza deste ecossistema de sequeiro cria as condições necessárias para a produção de ervas aromáticas e medicinais de uma grande qualidade sensorial.
 
Orégao
 

  Agora já em Agosto, começam a notar-se suaves mudanças, algumas quase imperceptíveis, que indicam a proximidade da mudança de estação: os dias estão a ficar mais curtos; as formigas entraram em modo de actividade extrema, procurando tudo o que se possa assemelhar a comida; as noites estão mais orvalhadas, permitindo que algumas sementes comecem a germinar - as pequenas plântulas contrastam de forma fantástica com os castanhos do sequeiro; nas últimas duas semanas as temperaturas máximas não ultrapassaram os 35ºC (ironicamente, hoje 10 de Agosto, o termómetro bateu os 38º C...); algumas das nossas espécies de ervas aromáticas que cresceram lentamente devido ao calor extremo do Verão, parecem também ter interpretado o aumento de humidade nocturna (e temperaturas ligeiramente mais amenas) como um sinal para retomarem o seu crescimento activo; na horta biológica, e depois de sofrerem com o calor e radiação durante os últimos dois meses, as plantas de abóbora estão a desenvolver novas guias, folhas e frutos; e os freixos começaram já a perder a folha, tomando as cores douradas do Outono.

  Para nós, é impressionante observar todos estes sinais que indicam uma potencial chegada do Outono, quando Agosto sempre foi considerado o mês central da estação mais quente do ano em Portugal. Para nós, isto significa também que em breve poderemos entrar nos últimos cortes dos campos, embora o clima seja sempre imprevisível. E mais importante, talvez chova! Depois de três meses sem chover, e já a caminho do 4º mês, a chuva seria muito bem vinda para assentar o pó do deserto que se tornou o Alentejo interior durante esta estação. As plantas e os animais agradeciam, e nós também! Agora, esperamos pelo ressurgimento da floração da cebola-albarrã (Urginea maritima), espécie muito difundida na herdade, o sinal certo de que o Outono está aí.

comentário(s)